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Áurea Ribeiro questiona situação administrativa e financeira do município de Lagarto

Durante a Sessão Plenária desta quinta-feira (11), na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), a deputada Áurea Ribeiro (PP) utilizou a tribuna para manifestar preocupação com informações divulgadas nos últimos dias sobre a situação administrativa do município de Lagarto. A parlamentar afirmou que uma série de fatos tornados públicos ao longo da semana apontam para dificuldades financeiras e administrativas que, segundo ela, merecem acompanhamento dos órgãos competentes e atenção da sociedade.

Questionamentos sobre o Festival da Mandioca

Ao iniciar seu pronunciamento, Áurea Ribeiro destacou informações envolvendo a empresa responsável pela montagem da estrutura do Festival da Mandioca de 2025. Segundo a deputada, a empresa teria recorrido à Justiça para cobrar valores que, de acordo com as informações divulgadas, se aproximariam de uma soma de sete dígitos.

“A empresa responsável pela montagem da estrutura do Festival da Mandioca de 2025 ingressou na Justiça cobrando valores que se aproximam de uma soma de sete dígitos. Isso significa que a Prefeitura não concluiu o pagamento dessa empresa e ela está na Justiça cobrando uma vultosa dívida”, declarou.

A parlamentar também chamou atenção para o fato de que, mesmo diante da disputa judicial, a estrutura do evento deste ano estaria sendo montada por outra empresa. “O mais impressionante é que, mesmo diante dessa disputa judicial, o município segue realizando a montagem da estrutura do evento deste ano com outra empresa. É uma situação incoerente”, afirmou.

Retirada de maquinários e exposição em praça

Outro ponto abordado pela deputada refere-se à retirada de equipamentos que, segundo ela, estavam locados ao município. Áurea Ribeiro relatou que máquinas pertencentes a um grupo empresarial teriam sido retiradas e colocadas na Praça de Eventos do Tanque Grande, local onde ocorre tradicionalmente o Festival da Mandioca.

“Se chegarem hoje em Lagarto, o cenário é gritante. Estão lá expostos todos os maquinários. Eu não posso estar aqui mentindo; estou trazendo a realidade do nosso município. Vejam que descaso”, disse.

Para a parlamentar, a situação evidencia dificuldades da gestão municipal em honrar compromissos financeiros. “Quando a gestão deve a uma empresa, ela primeiro tem que fazer o dever de casa para depois se expandir em outras áreas. Mas em Lagarto é diferente. Lagarto segue devendo, é dívida por cima de dívida”, criticou.

Relatos de atrasos salariais no Mercado Municipal

Durante o pronunciamento, Áurea Ribeiro também exibiu um áudio de uma reunião realizada no Mercado Municipal, no qual trabalhadores teriam relatado atrasos salariais de até dois meses. Segundo a deputada, o conteúdo apresentado aponta para dificuldades enfrentadas pelos servidores e colaboradores vinculados ao local.

“O pior de tudo é oferecer duas cestas de alimentos a cada funcionário para aliviar a dor e a necessidade deles. Mas eles não estão ali mendigando; eles estão trabalhando e precisam ser respeitados e receber seus salários em dia”, afirmou.

A deputada ressaltou que os relatos apresentados indicam que alguns trabalhadores teriam recebido apenas cestas básicas enquanto aguardam a regularização dos pagamentos. “Nenhum trabalhador pode se sustentar e sustentar sua família com promessas. Nenhum trabalhador pode ter seu salário substituído por apenas duas cestas básicas após meses de dedicação ao serviço público”, declarou.

Denúncias envolvendo terceirizados e agentes de endemias

Ainda segundo a parlamentar, outras empresas terceirizadas que prestam serviços ao município também estariam enfrentando dificuldades relacionadas ao pagamento de funcionários.

“Outra empresa terceirizada relata atrasos salariais que estariam afetando diversas áreas da administração pública, incluindo os agentes de endemias, profissionais essenciais para a saúde da população”, afirmou.

Áurea Ribeiro destacou que os relatos apontariam para problemas que atingem diferentes setores da administração municipal. “Todos os setores administrativos estão sendo afetados por falta de pagamento e de responsabilidade do gestor atual”, acrescentou.

Preocupação com serviços de limpeza urbana

A deputada também demonstrou preocupação com a situação da empresa responsável pela coleta de lixo e manutenção da limpeza urbana. Segundo ela, a prestadora de serviço estaria próxima de completar três meses sem receber pelos serviços executados.

“A empresa responsável pela coleta e manutenção da limpeza urbana está prestes a completar três meses sem receber. É mais um caos que está alertando a cidade e que pode paralisar serviços básicos de limpeza e recolhimento de lixo”, alertou.

De acordo com a parlamentar, a continuidade do problema pode gerar impactos diretos para a população. “Caso a situação não seja resolvida, nossa cidade pode virar um lixão a céu aberto, com impactos diretos à saúde pública e à qualidade de vida da população”, observou.

Apelo por esclarecimentos e responsabilidade administrativa

Ao concluir seu discurso, Áurea Ribeiro afirmou que as denúncias e reclamações precisam ser apuradas e esclarecidas. A deputada ressaltou que o papel do Parlamento é fiscalizar e defender os interesses da população.

“O que estamos vendo é uma sequência de denúncias, reclamações e sinais de alerta que não podem ser ignorados pelo nosso povo. Não cabe a esta tribuna condenar ninguém previamente. Cabe, sim, cobrar esclarecimentos, exigir responsabilidade e defender o interesse público”, enfatizou.

Em tom de apelo, a parlamentar pediu mais atenção à situação do município e destacou sua ligação com a cidade.

“Lagarto merece respeito. Como parlamentar e como filha de Lagarto, faço aqui este clamor. O povo lagartense não pode continuar pagando a conta de uma gestão que, a cada dia, vê aumentar as dívidas e comprometer o funcionamento dos serviços básicos da administração pública”, concluiu.

 

Foto: Jadílson Simões / Agência de Notícias Alese

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