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Audiência pública debate valorização da psicologia e melhores condições de trabalho para a categoria

A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), por meio da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, realizou nesta segunda-feira (15) uma audiência pública para discutir a valorização dos profissionais da psicologia, melhores condições de trabalho e o fortalecimento das políticas públicas de saúde mental.

Autora da iniciativa, a deputada estadual Linda Brasil (Psol) destacou que a audiência surgiu após diálogo com o Conselho Regional de Psicologia de Sergipe (CRP19/SE), que apresentou demandas relacionadas à precarização do trabalho na área. “As boas condições de trabalho não são importantes apenas para os psicólogos e psicólogas, mas para toda a população. Quando há valorização profissional, o atendimento acontece da melhor forma possível. Esta audiência é um espaço para dialogar sobre reivindicações, construir caminhos e buscar soluções para fortalecer uma categoria tão importante para o nosso estado”, afirmou.

A parlamentar também ressaltou a presença feminina na profissão. “Temos um número muito expressivo de mulheres atuando na Psicologia. Precisamos discutir a valorização dessas profissionais que contribuem diariamente para fortalecer a saúde mental da nossa população”, acrescentou.

O deputado Georgeo Passos (Republicanos) participou do encontro e reforçou a importância da realização de concursos públicos para garantir a continuidade dos serviços prestados à população. “A saúde mental é um tema que merece atenção permanente. Precisamos de profissionais valorizados e de concursos públicos para garantir a continuidade das políticas públicas na educação, na saúde e na assistência social. Quem precisa de atendimento psicológico não pode esperar meses por um serviço que deveria estar disponível de forma adequada”, destacou.

A presidente do Sindicato dos Psicólogos do Estado de Sergipe (Sinpsi/SE), Diana Santos Vieira Alves, enfatizou a necessidade de valorização profissional e de atenção à saúde mental dos próprios trabalhadores da área. “Há uma desvalorização muito grande dos profissionais da Psicologia em Sergipe, seja em relação à carga horária, ao piso salarial ou à ausência de programas voltados ao cuidado da saúde mental dos trabalhadores. Estamos aqui para discutir dados e buscar caminhos para garantir mais valorização à categoria”, afirmou.

Ela também chamou atenção para os impactos das jornadas excessivas de trabalho. “Estudos mostram que 67% dos profissionais da Psicologia no Brasil atuam acima de 30 horas semanais. Isso impacta diretamente a saúde mental dos trabalhadores, que muitas vezes deixam de cuidar da própria saúde, da família e da vida comunitária”, ressaltou.

A estudante de psicologia Astrid Leite de Freitas destacou que a precarização das condições de trabalho afeta diretamente a qualidade dos serviços oferecidos à população. “Quando o profissional trabalha em condições inadequadas, a população também sofre as consequências. O excesso de demandas, os desvios de função e o chamado ‘tecnoestresse’, causado pelo uso prolongado de tecnologias, podem levar ao adoecimento e até ao burnout. Por isso, defender melhores condições de trabalho é também defender um atendimento de qualidade”, observou.

A psicóloga Camila Meirelles, que atua em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), reforçou a necessidade de investimentos em estrutura e valorização da categoria. “Os Caps tiveram um papel fundamental, especialmente após a pandemia. Precisamos de espaços adequados, materiais para as oficinas terapêuticas e condições que garantam privacidade e qualidade no atendimento. Também é necessário avançar nas discussões sobre remuneração e jornada de trabalho dos profissionais”, destacou.

A presidente do Conselho Regional de Psicologia de Sergipe (CRP19/SE), Sara Santos Silva, afirmou que a valorização dos profissionais está diretamente relacionada à qualidade dos serviços prestados à população. “A saúde mental está cada vez mais presente no debate público e a valorização da nossa profissão é fundamental para garantir um atendimento qualificado à população. Estamos acompanhando pautas importantes, como a luta pelas 30 horas semanais, pelo piso salarial e pela valorização dos profissionais em diferentes áreas de atuação”, afirmou.

A audiência reuniu representantes de entidades da categoria, instituições públicas, profissionais e estudantes, reforçando a importância do diálogo para a construção de políticas que assegurem valorização profissional, melhores condições de trabalho e fortalecimento da saúde mental em Sergipe. No encontro, foi destacada a importância da união entre poder público, entidades representativas e profissionais na construção de medidas que assegurem valorização, melhores condições de trabalho e atendimento qualificado à população sergipana.

Fotos: Jadilson Simões/Agência de Notícias Alese

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