A deputada Ana Lúcia (PT) lamentou na sessão desta segunda-feira (31) na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), a tragédia que chegou na sua família, quando do assassinato do jornalista Igor de Faro Franco, semana passada, na frente do bar de sua propriedade, na Atalaia.

“Nenhum de nós está aceitando a impunidade, mas a responsabilidade maior não é do Poder Executivo, mas do Poder Judiciário. Nós não podemos estar soltando matadores profissionais, que o crime organizado começa a adestrar crianças e adolescentes pretas e pobres para poder matar.  Estamos exigindo que seja apurado e que não fique na impunidade, mas não vamos mais recuperar o jovem querido de todos e que não tem nenhuma razão aparente para essa tragédia”, ressalta.

Ana Lúcia pediu desculpas à família por não ter ocupado a tribuna para colocar essa questão. “Não fizemos antes porque não acreditamos nessa sociedade de espetáculos; nós não acreditamos que é a cultura da violência que vai resolver essa violência. O drama é terrível, mas ontem todos eles foram definir os rumos da sua capital, com toda a dor e com todo o sofrimento, porque sabem que nesse sistema que estamos vivendo qualquer um está sujeito a essa tragédia, a essa barbárie”, diz destacando que vida está vulgarizada.

Para a deputada, a culpa é de um sistema perverso que está ficando cada mais perverso ainda quando está desmontando tudo que melhorava a vida daqueles que mais precisavam.

Eu não vejo espetáculo nem da Globo, nem das emissoras de rádio, mostrando como os direitos estão sendo desmontados, como as questões sociais estão sendo tratadas, como a nossa juventude que está ocupando as escolas está sendo tratada pela polícia. Temos que defender nos vários espaços e exigir programas e projetos que ataquem isso, que mudem a cultura da nossa juventude. O Governo do Estado tem que tomar providência com relação às milícias armadas, ao discurso de pregar a violência e dizer que armar a população é melhor, em lugar nenhum do mundo foi melhor”, entende.

Ana Lúcia disse ainda que a população não nasce para a violência e para a guerra.

“A guerra é uma ambição humana, dos países que produzem as armas e geram esse tipo de comportamento. Hoje é a missa de 7º de Igor na Catedral às 18h. Exigimos sim a punição, mas exigimos políticas que realmente contribuam para a superação dessa barbaridade. Não se combate a violência com o discurso de pregar a violência, mas com cultura, com educação, com proteção, porque policial é para proteger, não agredir. É isso que está levando a barbarizar a nossa sociedade. A perda é a coisa mais profunda que nós sentimos, principalmente a dor da mãe e de um pai que não pode mais ver o sorriso e a alegria do seu filho, seja um exemplo para que a gente priorize

Por Agência de Notícias Alese