A deputada Linda Brasil (Psol), fez uma análise na Sessão Plenária desta terça-feira (3) na Assembleia Legislativa de Sergipe, sobre o discurso do governador Fábio Mitidieri (PSD), na última segunda-feira (2) no plenário da Alese, quando da abertura do Ano Legislativo 2026. A parlamentar cobrou o anúncio de ações a serem desenvolvidas e providências quanto aos serviços por parte da empresa Iguá Saneamento.
“O governador fez um discurso ontem onde Sergipe parece estar a mil maravilhas e que não há nenhum problema, seja nas áreas de moradia, de educação, na saúde. Ele apresentou apenas os dados referentes aos impactos positivos do seu governo; não apresentando nada sobre quais as reais ações e políticas públicas que serão desenvolvidas esse ano; pareceu mais propaganda do estado. Cadê a questão da falta de abastecimento de água e das Organizações Sociais que estão sendo contratadas com processo de privatização? O que o governo está fazendo contra essa empresa que está cada vez mais contribuindo com o caos na nossa população?”, indaga a deputada.
Linda Brasil exibiu um vídeo de uma moradora reclamando sobre as altas taxas cobradas pelo fornecimento de água e taxa de esgoto pela empresa Iguá. “Não adianta o governador vir aqui ler um texto mostrando que o estado está às mil maravilhas e em nenhum momento falou sobre a questão da Iguá, ou seja, não apresentou os desafios e nem políticas públicas realmente efetivas e ainda apresentou um programa do Governo Federal como se fosse do estado de Sergipe e isso precisa ser dito para que a população não seja ludibriada. Vemos todos os dias as pessoas reclamendo do aumento nas taxas de água e da falta do produto todos os dias em vários bairros de Aracaju e das cidades do interior; além de cobrarem taxa de esgoto em locais que não tem esgoto. A venda da Deso como a gente anunciou no processo foi uma grande furada e a população está cada vez mais atenta pois é constante o número de denúncias de vários problemas . A sensação que os sergipanos têm é que a Iguá Sanemaneto não tem condições de prestar serviços, pois o povo está passando dias sem uma gota de água nas torneiras, inclusive no Hospital Universitário onde os profissionais estão lutando para salvar vidas. É inadmissível que isso aconteça”, ressalta.
A deputada informou que segundo dados do Censo 2022, o estado de Sergipe tem 45,8% de domicílios sem acesso à rede geral de coleta de esgoto. “Muitos municípios sergiupanos não atingem nem 5% de domicílios com acesso da rede geral de coleta de esgoto e os dados referentes ao tratamento de esgoto ainda são mais baixos, Mesmo assim a Iguá acha justo cobrar taxas de coleta abusivas, já que tem cobrado por um serviço que parte da população não usufrui. De dezembro para cá, o governador deu uma série de entrevistas defendendo a Iguá reafirmando com muita coragem, que a privatização de parte dos serviços foi um acerto e que em médio prazo as coisas vão melhorar. Ele pediu paciência ao povo, mas a paciência dos sergipanos é curta. O governador devia cobrar a Agrese (que regulao contrato da Iguá), que atue para coibir a cobrança abusiva nas contas de água a população que já sofre com a falta de água nas torneiras”, observa.
Linda Brasil disse ainda que se apopulação não pagar a conta de água, o corte no abstecimento é feito.
“Ou paga ou fica sem ter acesso ao pouco de água que chega nas torneiras. O governador precisa dizer de que lado está, se do povo ou da Iguá; estamos pr[oximos do Carnaval e nós parlamentares precisamos cobrar de quem administra o dinheiro público, eleito pelo povo e deve solucionar os problemas que o povo está enfrentando. O governador não mostrou no discurso o que o povo passa todo dia. Em dezembro mais de 373 mil pessoas em Sergipe não sabiam ler e nem escrever e quase 410 mil pessoas não tínham nenhuma instrução escolar e outras 409 mil não tinham sequer concluido o ensino fundamental e nada disso foi falado na mensagem do governador. Há um desmonte do magistério público, com perseguição aos professores e professoras. O pagamento do Piso Salarial é um direito dos trabalhadores. Na área de trabalho e renda, em dezembro os dados demonstram problemas gravíssimos. Segundo dados do Cadastro Único, 41,3% das famílias cadastradas em Sergipe não tínham nenhuma pessoa trabalhando, vivendo sem qualquer renda. Isso escancara a ausência de uma política estadual séria de inclusão produtiva, geração de emprego digno e cuidado com quem mais precisa”, lamenta.
Foto: Jadilson Simões/Agência de Notícias Alese
